Microtendências – Recorte das Considerações Finais

Microtendências, um livro muito interessante para entender o mundo contemporâneo e a importância das análises estatísticas

Microtendências, um livro muito interessante para entender o mundo contemporâneo e a importância das análises estatísticas

Recentemente finalizei a leitura do livro Microtendências – um livro cujo similar no Brasil, com dados brasileiros faz falta – e, sobre as considerações finais do autor, faço os seguintes importantes recortes, que suscitam uma reflexão aprofundada:

“Hoje, a maioria das pessoas faz críticas semelhantes às de Aristóteles – uma visão holística dos eventos a partir do próprio ponto de vista. Entretanto, diferentemente de Aristóteles, elas muitas vezes alegam ter visto a floresta sem realmente terem examinado as árvores. Especialmente nesse mundo atual acelerado, as pessoas estão cada vez mais fazendo juízos com base na própria visão de mundo, em vez de construir uma opinião baseada nos fatos, o que consideram difíceis de determinar. A verdade nua e crua é que, na maior parte das vezes, não é possível identificar padrões concretos na vida das pessoas, a não ser por meio de estatísticas. Ainda assim, afirmamos que nosso entendimento se baseia em nossos próprios pontos de vista limitados. A tendência, então, é que a sabedoria convencional seja ao mesmo tempo muito dogmática e muito equivocada”.

“Para a grande maioria dos assuntos, as pessoas valem-se de uma combinação de informações obtidas de noticiários, sites, revistas, rádio e conversas com amigos e seus próprios instintos. Considerando o fato de que quase todas essas fontes são pouco científicas, a maioria das pessoas acaba sendo enganada em boa parte dos casos sobre o que realmente está acontecendo. As pessoas são influenciadas pelo que parece certo ou pelo que desejam ver. Raramente se dão ao trabalho de analisar os fatos concretos“.

Apesar do grande avanço ao acesso à informação em geral, as pessoas carecem de um aprofundamento nas questões que estão discutindo, faltando-lhes embasamento a partir da essencial busca às fontes fidedignas de informação, no mínimo. Muito disse-que-disse, muito achismo, muito gargantismo sem embasamento científico.

Lembro que todo embasamento estatístico deve ser precedido de profunda fundamentação teórica, profundo conhecimento do que se trata o assunto, para que as questões corretas sejam realizadas, sem que haja constrangimento ao respondente. Por conta do “achismo” de que matemática (e seus derivados, como a estatística) são difíceis, muitos estudos acadêmicos e científicos no Brasil ficam na esfera das ideias, sem uma validação estatística, sem uma comprovação numérica do estudo iniciado.

Então, na próxima vez que pensar em comentar sobre algum assunto, busque, antes, saber do que se trata e o que já se escreveu sobre ele – em fontes válidas, fazendo o cruzamento das informações, isto é, gerando conhecimento.

Serviço:

Microtendências: as pequenas forças por trás das grandes mudanças de amanhã.
PENN, Mark J.; ZALESNE, E. Kinney
Rio de Janeiro: Best Seller, 2008.
581 pp.