As funções do executivo (Caps. 6, 7 e 9)

Chester Barnard

Chester Barnard

Para uma definição correta de organização, é preciso analisar quatro fatores essenciais para sua caracterização:

  1. Ambiente físico: constitui uma parte inseparável do sistema cooperativo, sendo que as alterações do ambiente físico demandam ajustes no sistema cooperativo. Além dos aspectos geográficos, considera também a parte encarada como propriedade de uma organização, as coisas que ela possui ou que com ela trabalha e alguma instalação material (em alguns casos);
  2. Ambiente social: a organização é parte dos componentes dos indivíduos que dela fazem parte, tem efeitos sobre os indivíduos cujas atividades não são inerentes a ela, o contato com outros sistemas cooperativos, os sistemas superiores e os sistemas sociais inerentes à própria cooperação.
  3. Indivíduos: a questão que oferece maiores dificuldades e dúvidas, pois pessoas e grupos possuem definições diferentes (pessoa é uma coisa muito variável, pois são a extensão e o caráter de sua participação nos grupos) e de grupos são formadas as organizações; e
  4. Outras categorias.

Ao analisar estes quatro fatores, Barnard conclui que o conceito mais útil para a análise dos sistemas cooperativos é “um sistema de atividades ou forças, de duas ou mais pessoas, conscientemente coordenadas”.

Para o autor, ainda, “se essa hipótese se revelar satisfatória, terá sido porque (1) uma organização como ficou entendida, é um conceito válido através de uma vasta área de situações concretas, com relativamente poucas variáveis, que possam ser efetivamente investigadas; e (2) as relações entre este esquema de conceitos e outros sistemas, podem ser efetiva e utilmente formuladas”.

A partir deste conceito, Barnard apresenta uma série de aspectos das organizações formais como sistemas abstratos, como segue:

  1. Termos usados para simbolizar ou personificar organizações.
  2. Conceitos análogos à organização como é definida: quando lidamos com coisas intangível, é necessário sua simbolização por meio de coisas concretas ou sua personalização o que, em muitas circunstâncias, é realizado através das pessoas ligadas à organização;
  3. O caráter não pessoal de atividades como componentes de organizações: as ações de pessoas, por palavras, olhares, gestos, movimentos, nunca objetos físicos;
  4. Organizações como partes de sistemas mais gerais, como abrangendo sistemas subordinados: o sistema deve ser tratado como um todo, porque, de forma significativa, cada parte é relacionada com todas as outras partes nele incluídas;
  5. Propriedades emergentes de sistemas: sistemas de cooperação são tratados como criaturas sociais, “vivas”, exatamente como um ser humano que, em si só, é um complexo de sistemas parciais, diferentes da soma desses sistemas constituintes; e
  6. Características dimensionais das organizações: com o aumento das comunicações eletrônicas, este quesito tem se tornado obsoleto, porém, como alerta o autor, desde que o material das organizações é constituído de atos de pessoas e desde que eles se relacionam em certo grau com objetos físicos, ou são fixados em algum ambiente físico, eles têm certo grau de localização física.

Ao finalizar a explanação sobre a definição de organização, Barnard então teoriza dobre a organização formal, que, só existe se e somente se: (1) há pessoas aptas a se comunicarem entre si; (2) que desejam contribuir com sua ação; e (3) em prol de um propósito comum.

Os elementos organizacionais, então, são: (a) comunicação; (b) desejo de servir; e (c) propósito comum e seus resultados serão mensurados por características de efetividade e eficiência, responsáveis pela vitalidade das organizações.

Sobre a disposição para cooperar (desejo de servir), significa a auto renúncia, a abdicação do controle da conduta pessoal, despersonalização da ação pessoal e tem como efeito a coesão de esforço em um sentimento de “avançar juntos”.

Porém, nem todos estão com a mesma disposição para cooperar ao mesmo tempo, nem constantemente. A disposição para cooperar é a expressão das satisfações ou insatisfações experimentadas ou antecipadas por indivíduo em comparação àquelas experimentadas ou antecipadas de oportunidades alternativas.

Ao aprofundar o tema propósito, Barnard alerta que um propósito não incentiva a atividade cooperativa, a menos que ele seja aceito por aqueles cujos esforços irão constituir a organização e, cada um dos propósitos, possui dois aspectos: o cooperativo e o subjetivo.

Isso faz o propósito servir como um elemento de um sistema cooperativo apenas enquanto os participantes não percebem que há sérias divergências, na sua forma de entender esse propósito como objeto de cooperação.

Por isso, devemos distinguir claramente entre propósito da organização e motivo individual. Este é, necessariamente, uma coisa interna, pessoal, subjetiva, enquanto aquele é uma coisa externa, impessoal, objetiva. A realização de um propósito da organização torna-se, ele mesmo, uma fonte de satisfação pessoal e um motivo para muitos indivíduos em muitas organizações.

A principal função da comunicação é tornar comum o propósito da organização, expor para a comunidade a intenção da organização, existindo para isso, diversas técnicas que, de certa forma, modelam a forma e a economia interna da organização.

Para que uma organização se mantenha ativa, deve renovar constantemente seu propósito, sendo a efetividade uma questão de processos tecnológicos. Uma condição essencial para a sustentação da vida das organizações é a generalização do propósito, definido concretamente pelos acontecimentos do dia-a-dia.

A eficiência da organização, por sua vez, na opinião de Barnard, a eficiência de esforço, por ele denominada, de dá por assegurar as necessárias contribuições pessoais para o sistema cooperativo, dependendo a vida de uma organização à sua aptidão para assegurar e manter as contribuições pessoais de energia necessárias para cumprir seus propósitos.

Para tanto, é necessário que a organização seja capaz de oferecer estímulos efetivos em quantidade suficiente para manter o equilíbrio do sistema, o que mantém a vitalidade das organizações. E, estes incentivos podem ser tanto financeiros quanto não financeiros.

Esta é a visão do autor sobre as organizações formais, que são formadas – ou hospedam – organizações informais, que ocorrem por as pessoas entrar em contato umas sobre as outras, mesmo quando esses relacionamentos não façam parte de nenhuma organização formal. Esses relacionamentos ocorrem e continuam ou são repetidos sem nenhum propósito específico consciente e mudam a experiência, o conhecimento, as atitudes e emoções dos indivíduos atingidos.

As organizações informais apresentam duas classes de efeitos:

  1. Estabelece certas atitudes, entendimentos, costumes, hábitos, instituições; e
  2. Cria a condição sob a qual pode nascer uma organização formal.

É necessidade essencial do indivíduo a associação e isso exige uma atividade local ou interação imediata entre indivíduos. Essa integração pode ser oriunda do instinto, do condicionamento social e/ou da necessidade fisiológica. Esses fatores podem agir isoladamente ou em conjunto.

Uma sociedade é estruturada pelas organizações formais e estas são vitalizadas e condicionadas pelas organizações informais, sendo que um estado de completa ausência de organizações formais seria algo próximo do completo individualismo e completa desordem.

As organizações informais possuem algumas funções dentro das organizações formais, tais como:

  • Comunicações
  • Manutenção da coesão das organizações formais;
  • Manutenção do sentimento de integridade pessoal.

Referência

BARNARD, Chester I. As funções do executivo. São Paulo: Editora Atlas, 1971. Cap. 6, p. 87-100; Cap. 7, p. 101-112; Cap. 9, p. 129-136.


Resumo confeccionado durante o programa de mestrado da UDESC/ESAG

Disciplina: Estudos Organizacionais
Professor: Dr. Mauricio C. Serafim