Estrutura burocrática e personalidade

Robert Merton

Robert Merton

A obra de Merton trata das disfunções da burocracia que acabaram convertendo o termo em um insulto, baseado, principalmente nos conceitos de “incapacidade treinada” (Veblen), “psicose ocupacional” (Dewey) e “deformação profissional” (Warnotte).

O primeiro correspondo à inflexibilidade dos funcionários em se adequar a novas condições apresentadas ao trabalho, estando preparados somente para o quadro anterior, o que produz desajustes que podem ser mais ou menos sérios.

O conceito de psicose ocupacional tem como resultado a aquisição (ou adoção) de preferências e antipatias por parte dos indivíduos, desenvolvidos pelas exigências da organização.

Para que a burocracia funcione adequadamente, na opinião de Merton, é preciso que os funcionários sejam altamente comprometidos, que tenham um alto grau de conformidade com as responsabilidades atribuídas e sua eficácia está diretamente atrelada à infusão nos grupos integrantes atitudes e sentimentos apropriados, o que, geralmente, é realizado em intensidade superior à necessária, o que pode se transformar em formalismo (em alguns casos, ritualismo), que denota um apego excessivo aos procedimentos formais.

Para se defender – até inconscientemente – os funcionários utilizam do “espírito de grupo” ou associações informais, geralmente desenvolvidas, que levam os funcionários a preferir defender seus interesses ao invés de atender seus superiores e/ou ao público. As organizações informais tendem a aparecer “sempre que a integridade do grupo se vê ameaçada” (p. 117).

Uma outra razão para este comportamento de isolamento no grupo informal pode derivar da impessoalidade ou tratamento estereotipado que os burocratas podem dar aos seus funcionários, pois interpreta sua atuação como de “representante do poder e do prestígio de toda a estrutura” (p. 120), o que acentua o conflito entre camadas hierárquicas da organização.

Por outro lado, quando o burocrata utiliza uma abordagem mais pessoal na organização, tende a ser reprovado e seu comportamento tachado como nepotismo ou favorecimento.

Merton encerra seu discurso levantando ainda algumas questões intrigantes acerca da burocracia, como:

  • Até que ponto os distintos tipos de personalidade são selecionados e modificados pelas diferentes burocracias?
  • Selecionam as burocracias as personalidades mais ou menos submissas ou dominantes?
  • A participação nas atividades burocráticas tende a aumentar as tendências dominadoras?
  • Selecionam os distintos sistemas de provisão de cargos diferentes tipos de personalidade?
  • A promoção por antiguidade diminui a competitividade e aumenta a eficiência administrativa?

Referência

MERTON, Robert K. Estrutura burocrática e personalidade. In: CAMPOS, Edmundo (org.). Sociologia da burocracia. 4.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. P. 107-124.


 

Resumo confeccionado durante o programa de mestrado da UDESC/ESAG

Disciplina: Estudos Organizacionais
Professor: Dr. Mauricio C. Serafim