O Brasil não é um país competitivo – e nem quer ser

Brasil: um país com potencial competitivo mal gerenciado.

Há tempos venho pensando no que dizem diversos líderes mundiais sobre o Brasil ser referência de um mundo melhor, de que as soluções para o mundo estão aqui, nossos Presidentes (Lula e Dilma, principalmente) se oferecendo para levar o modelo de governo nacional para outros países, na esperança de acabar com a crise e a pobreza, entre outros disparates, que dizem que nosso país está “muito bem, obrigado”.

Para alguns, pode estar sim. E MUITÍSSIMO BEM, OBRIGADO!

Graças a uma parcela enorme de pessoas que em seu sangue possuem o espírito empreendedor, a gana, a vontade e a ferocidade de ir contra tudo e todos e, num país cheio de entraves, iniciar seus negócios, conquistar seus clientes, realizar seu trabalho de forma honesta e justa, sem terem o tal “tratamento diferenciado” ao qual se refere nossa Carta Magna e a Lei Complementar 123/2006. Aqui e ali, vemos algumas tratativas, mas nada, ainda, sólido, que dê orgulho ao empreendedor, ao grande empresário da micro e pequena empresa se orgulhar de seu governo e seus representantes (principalmente, no poder legislativo). Além disso, estamos (empresários) sujeitos a, entre outras, às seguintes agruras:

Leis Trabalhistas e Paternalismo

O Brasil possui um dos modelos de trabalho mais paternalistas do mundo. O funcionário/colaborador é praticamente isento de deveres, tendo somente os direitos a seu dispor. Além disso, os juízes raramente dão ganho de causa às empresas, quando processadas pelos colaboradores. Será que nossas empresas são tão despreparadas assim? As condições de trabalho são, realmente, tão maléficas à saúde do colaborador?

A última notícia neste departamento informa que as profissionais que,durante o aviso prévio engravidarem, ganham estabilidade de emprego. Ou seja: a profissional já não é bem vista na empresa, está cumprindo aviso prévio por ter sido demitida e, por ter engravidado, possui mais 13 meses de estabilidade no emprego (pelo menos).

Além disso, por a lei trabalhista (não somente ela) ser tão emaranhada, há diversas brechas de interpretação que podem ser usadas pelos colaboradores para tirar proveito. A CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) deve ser revista urgentemente, para se tornar mais ágil, correta e menos onerosa aos empresários – em todos os sentidos.

Encargos Salariais

Em post de 26 de fevereiro, informamos que o Brasil possui os MAIORES encargos trabalhistas, chegando a 57,56% em um salário de US$ 30 mil. Ok, está certo que este não é o salário médio do brasileiro, mas – muito provavelmente – por medo desta perda (pois ninguém sabe para onde vai o dinheiro), muitos empresários tendem a pagar salários “por fora”, ou fazem contrato de participação nos lucros, encontrando formas de economizar. O problema é que não se consegue fazer todos os colaboradores de sócio. As variáveis são muito restritas ao empresário, que fica amarrado em um sistema que é totalmente contrário à si.

Estes altos encargos também influenciam no poder de retenção de talentos em PMEs, fartos celeiros para empresas de maior poder, que roubam os colaboradores sedentos por aumento salarial (a princípio), esquecendo de todo o investimento que a empresa fez na sua capacitação – lembrando que não há cláusula de fidelidade contratual que valha para a empresa. São poucos os colaboradores que, ao receberem uma proposta mais “tentadora” no mercado de trabalho, não deixam seu posto nesta e vão para aquela.

Falta de Educação Financeira

O brasileiro, por si só, não possui o hábito de poupar. São poucos os que geram riqueza, pensando no futuro, principalmente, os das atuais gerações Y e Z, que pensam no momento, em viver a experiência, em “curtir a viagem, não o destino”. Porém, o destino é o que nos espera. É o que OS espera.

Para isso, tímidas iniciativas começam a ser tomadas neste sentido. Devemos desmistificar esta questão, conversar em família sobre a questão dinheiro – quanto temos, quanto precisamos, onde queremos chegar – para mudar a forma de encarar a questão. Se não podemos contar com nossa família para consumar nossos sonhos de consumo, que são propensos usuários do mesmo (ou de seu reflexo/impacto), com quem contar? Para perder o medo e começar a fazer o seu pé de meia, aconselho a série de vídeos “Como ficar rico”, do meu amigo Ricardo Della Santina Torres.

Carga Tributária

Além dos altos encargos sociais sobre o trabalho/trabalhador, há ainda a enorme ganância (próxima a 40%, em média) do governo brasileiro que, entre nós empresários, é tido como o primeiro sócio da empresa. E o mais voraz.

Se os encargos trabalhistas são os maiores do mundo no Brasil, os impostos sobre produção, comercialização, industrialização, etc, etc, etc são, também, um dos maiores do mundo (se não, os maiores). Uma séria reforma tributária poderia – como mostraram algumas iniciativas de redução/isenção de alíquotas – potencializar a arrecadação do governo, com base na quantidade de mercadorias vendidas, não na unidade vendida. Mudar a “estratégia de precificação”, de Premium Price para Low Cost.

Para isso, é necessário o investimento – pesado – em infraestrutura, em melhorias em processos, em otimização de recursos, pois não podem mais haver erros (ou estes devem ser minimizados), passando pelo enxugamento da máquina estatal e o fim do cabide de empregos e funcionários fantasmas.

Sindicatos

Outro sanguessuga dos empresários. Já foram piores, nos idos dos anos 80 e 90, com paralisações e greves por todo o Brasil. Perderam poder por terem mudado de foco. Os sindicatos no Brasil viraram trampolins políticos, que alavancam a carreira de seus líderes na esfera política. Pouco ligam para o interesse dos colaboradores, as iniciativas das empresas. São radicais e extremistas, pouco maleáveis. Para eles, a empresa é a grande vilã. Chantageiam, caluniam e não oferecem benefícios – nem aos colaboradores (os laborais) nem aos empresários (patronais). Verdadeiras máquinas de fazer dinheiro.

Taxas, taxas, taxas

O Brasil está sendo regulado por taxas. São tantas as taxas (além dos impostos) que os empresários se perdem e pagam (até) o que não devem. É Certificação Digital (alguém me explica para quê serve, por favor), Sped Fiscal (a pagar para a Contabilidade), Conselhos profissionais (CREA, CRA, CREFITO, CRM, CRO, etc.), e várias outras entidades, todas no início do ano, quando a empresa acabou por passar por uma grande descapitalização com o pagamento de 13º Salários e Férias a seus colaboradores. É irracional a quantidade de boletos que chegam nos primeiros meses do ano em uma empresa – como disse – alguns que nem deveriam ser pagos, além das despesas já normais da empresa, que existem para sua existência.

Burocracia (a ruim, red tape)

O Brasil sofre com sua burocracia, o que torna as decisões lentas. O Brasil é um enorme elefante branco, desengonçado, sem ginga (apesar de todo o alarido que se faz com o Carnaval). Então, o governo tem que apelar para Medidas Provisórias, que, por se acumularem, não são votadas em tempo hábil e, então, se tornam rotina administrativa. Ninguém contesta, somos apáticos. Somos governados por “bilhetinhos”, que o executivo envia ao legislativo e que “nunca” são apreciados e, quando o são, são de roldão, de “balaio”, como dizem no interior.

Precisamos desburocratizar o Brasil se queremos ser um país Low Cost, para agilizar a tomada de decisão, eliminar os carimbos e selos e tudo o que atrapalha. Digitalizar, agilizar, otimizar. Essas são as regras do jogo hoje em dia. E o Brasil está perdendo o jogo por não se adequar às regras.

Corrupção

Não, a corrupção não é o grande mal do Brasil, mas é um deles. E não somente a corrupção do desvio do dinheiro público, dos conchavos, das porcentagens para se conseguir uma obra ou outra. Há também as pequenas corrupções a que somos submetidos todos os dias – corruptores ou corrompidos. Ceder 0,1 ponto na média, entrar na contra-mão (para ir só até ali), atravessar de moto em local para pedestre para cortar caminho, colocar carga a mais no caminhão para economizar frete, cobrar X,X99 na gasolina, não existindo 0,001 para dar de troco ao consumidor, não atravessar na faixa de pedestre e muitos outros exemplos.

Viver do jeitinho, no jeitinho e para o jeitinho. Parece que esta é a vocação do brasileiro. Este cenário precisa ser mudado. Estamos vivendo uma época de renovação/reavaliação/revalidação dos valores a que nos submetemos, fala-se muito em identificação, em propósito. Eis algo pelo que se vale a pena lutar.

Porém, apesar de todo este cenário, ainda há pessoas empreendendo, liderando pessoas, criando novos negócios. O Brasil é um celeiro de oportunidades que podem – e DEVEM – ser exploradas. Para isso, precisa-se ser corajoso, bravo, guerreiro, lutador e, principalmente, um pouco louco.

É como dizem, de “médico e louco, todo mundo tem um pouco”.

E, finalizando, devemos procurar e fazer alianças estratégicas para nossos negócios. Nos aliar a pessoas e empresas que possam complementar, utilizar e, principalmente, indicar nossos trabalhos. E, então, juntos, lutar por condições mais justas aos empresários, principalmente, das PMEs, pois sem a nossa participação, o Brasil nunca será competitivo – apesar de não querer.

Dúvidas ou sugestões, entre em contato.

Até a próxima.