Estratégias de precificação e o Brasil

O Brasil precisa adequar o preço dos seus produtos à realidade do que entrega

Um país e seu governo também utilizam estratégias de marketing para conduzir seus – se podemos chamar assim – negócios, apesar de ser uma instituição sem fins lucrativos. O lucro (ou excesso) em um país/governo devem (pelo menos deveriam) se converter em obras de infraestrutura, saneamento, apoio social, etc. No Brasil não deve(ria) ser diferente.

A base do marketing estratégico é a famosa teoria dos 4Ps, desenvolvida por Jerome McCarthy e difundida no mundo por Philip Kotler que versa sobre quatro pilares Produto, Praça (distribuição), Promoção (comunicação) e Preço e o equilíbrio que deve haver entre eles, para que se tenha sucesso na execução das estratégias.

 

Marketing Mix

 

Ao analisar o pilar Preço (ou precificação), existem diversas estratégias que qualquer empresa pode adotar, entre elas:

  • Skimming (ou nateamento): a empresa lança o produto a um preço alto, para diluir os custos de desenvolvimento e/ou de exclusividade e, voluntária e gradativamente, faz uma estratégia de diminuição de valor para pulverizar o estoque e tornar acessível às camadas inferiores, o produto. Estas empresas desenvolvem produtos com base em inovação, mas precisam gradualmente, aumentar sua participação de mercado.
  • Mark-up (ou preço mínimo): a empresa analisa os custos e despesas fixas envolvidas na produção do produto/serviço e aplica sobre eles um fator multiplicador que contempla a participação dos custos e despesas variáveis (adicionadas de lucro). Geralmente utilizado empresas que comercializam produtos.
  • Balizamento: a empresa pesquisa entre seus concorrentes quais são os valores cobrados no mercado e, entre o máximo e o mínimo encontrado, faz o seu preço. Geralmente utilizado por empresas emergentes, que comercializam/produzem commodities.
  • Preço Premium: a empresa sempre cobra um valor elevado pelos seus produtos, denotando exclusividade, status e valorização do cliente. Estas empresas desenvolvem produtos com base em inovação e diferenciação.
  • Baixo custo/Baixo preço: a empresa que adota esta estratégia, foca seus esforços na otimização de processos, diminuição de erros, produção em escala. Geralmente associado à empresas de commodities e de produtos populares, em que o ganho se dá pela quantidade vendida, não pela unidade.

No texto “O Brasil não é um país competitivo – e nem quer ser”, foi dito que o Brasil deveria mudar a estratégia de precificação utilizada (de Preço Premium para Baixo custo/Baixo preço).

Como pode ser visto, na rápida explicação sobre as estratégias de precificação e no texto anteriormente publicado, o custo Brasil é extremamente alto, com aproximadamente 200 milhões de clientes (diretos) em potencial, que utilizam seus produtos (impostos, taxas, sindicatos, encargos, etc.) que estão sendo muito mal atendidos nas necessidades e obrigações que se esperam de uma empresa que adote a estratégia de Preço Premium (qualidade, exclusividade, status, inovação). O Brasil entrega produtos da estratégia Baixo custo/Baixo preço aos seus “clientes”: saúde deficitária, infraestrutura precária, educação pífia, abismo social, entre outros.

O Brasil precisa de uma vertiginosa revolução – rápida, dolorosa, pontual – nesta esfera.

E, para isso, possui duas opções:

  • Reduzir o preço dos serviços “prestados”, otimizar processos, reduzir perdas e falhas, melhorar a qualidade, reinvestir seus excessos (lucros); ou
  • Investir na criação de diferenciais competitivos para o Brasil, fortalecer a indústria, dar condições aos investimentos e investidores e melhorar – realmente – as condições de vida no país.

Seriam ótimas oportunidades de mostrar que o Brasil e seus governantes realmente se importam com quem aqui mora e investe e que realmente entendem de marketing estratégico – não só no período eleitoral.

Dúvidas ou sugestões, entre em contato.

Até o próximo.